quinta-feira, 5 de novembro de 2020

 “Zero”


Não é possível  zerar 

Não é possível apagar o que foi

Não é possível começar do zero,

A menos que se nasça outra vez.

Quando se diz zerar, na realidade quer dizer parar, aquietar, serenar, e refletir para depois se retomar o caminho

Porque existe sempre um antes, um início, um começo que te acrescenta, que te compõe, 

que te enfeita ou te destrói, mas faz parte de ti.

A vida não é só o moderno, o novo , a luz, também é o passado, o velho e a escuridão.

Tu és a soma de tudo isso.

Não há zeros nesta vida, apenas muitos cruzamentos, muitas direções, muitas opções, 

muitos reflexos, muitos espelhos , muita perdição, muito rio que corre para o mar, muita vida na luz, muita dor nas esquinas, nos recantos, muita contemplação, muita incerteza, muita indecisão.

A vida faz-se de passos, grandes e pequenos, paragens e imagens, fotografias na memória, 

histórias no coração, e músicas e sons que nos embalam, e pedras e paus que nos detém, 

e sorrisos e olhares que nos trespassam.

E todos os dias recomeçamos, e todos os dias acreditamos, e todos os dias desacreditamos, 

mas não zeramos.

Não zeramos porque temos o coração cheio, as vezes de amor, as vezes de perdição, as vezes de dor, as vezes de tudo,

Mas não zeramos.


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