quinta-feira, 5 de novembro de 2020

 “Zero”


Não é possível  zerar 

Não é possível apagar o que foi

Não é possível começar do zero,

A menos que se nasça outra vez.

Quando se diz zerar, na realidade quer dizer parar, aquietar, serenar, e refletir para depois se retomar o caminho

Porque existe sempre um antes, um início, um começo que te acrescenta, que te compõe, 

que te enfeita ou te destrói, mas faz parte de ti.

A vida não é só o moderno, o novo , a luz, também é o passado, o velho e a escuridão.

Tu és a soma de tudo isso.

Não há zeros nesta vida, apenas muitos cruzamentos, muitas direções, muitas opções, 

muitos reflexos, muitos espelhos , muita perdição, muito rio que corre para o mar, muita vida na luz, muita dor nas esquinas, nos recantos, muita contemplação, muita incerteza, muita indecisão.

A vida faz-se de passos, grandes e pequenos, paragens e imagens, fotografias na memória, 

histórias no coração, e músicas e sons que nos embalam, e pedras e paus que nos detém, 

e sorrisos e olhares que nos trespassam.

E todos os dias recomeçamos, e todos os dias acreditamos, e todos os dias desacreditamos, 

mas não zeramos.

Não zeramos porque temos o coração cheio, as vezes de amor, as vezes de perdição, as vezes de dor, as vezes de tudo,

Mas não zeramos.


sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020


1989

Poema
PÊN
D
    U
                   L
                      O
Tombam  f
                 a
                 r
                 s
                 a
                 s   do mister próximo.
                                                                   o
Candeias doiradas como pequenos   s             i
                                                                    s.

Es  p    a      l        h         a           m            -          s          e
                          Pelo planeta
Cada pegada     c          m           n             a      na razão
       a            i            h
directa da   lu
mi
     nu
si
da
de
que lhe chega.
Refratação ou existência?


1989



Apetece-me amar ...


Apetece-me amar,
Amar o mar que na tempestade
Ama as rochas da praia,
Furiosamente.

Apetece-me amar as conchas e os búzios
Tal qual o mar calmo lhes bate num dia de sol

Apetece-me o amor do vento no areal
A aflorar-me a pele

Apetece-me enrolar na areia
No mar e no vento,
 Fugir e ele agarrar-me
E brincar assim indefinidamente sem tempo
...
neste jogo de dar e receber!...

  “Zero” Não é possível    zerar  Não é possível apagar o que foi Não é possível começar do zero, A menos que se nasça outra vez. Quando se ...